segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Bom dia com poesia

Que esta última segunda-feira do ano seja de reflexão sobre os erros cometidos em todas as segundas-feiras do ano que está prestes a findar. E que não esqueçamos uns dos outros, que nossa amizade se solidifique e que todas as segundas-feiras de 2015 sejam sempre inícios de maravilhosas semanas.
"Se Me Esqueceres
Quero que saibas 
uma coisa.
Sabes como é:
se olho
a lua de cristal, o ramo vermelho
do lento outono à minha janela,
se toco
junto do lume
a impalpável cinza
ou o enrugado corpo da lenha,
tudo me leva para ti,
como se tudo o que existe,
aromas, luz, metais,
fosse pequenos barcos que navegam
até às tuas ilhas que me esperam.
Mas agora,
se pouco a pouco me deixas de amar
deixarei de te amar pouco a pouco.
Se de súbito
me esqueceres
não me procures,
porque já te terei esquecido.
Se julgas que é vasto e louco
o vento de bandeiras
que passa pela minha vida
e te resolves
a deixar-me na margem
do coração em que tenho raízes,
pensa
que nesse dia,
a essa hora
levantarei os braços
e as minhas raízes sairão
em busca de outra terra.
Porém
se todos os dias,
a toda a hora,
te sentes destinada a mim
com doçura implacável,
se todos os dias uma flor
uma flor te sobe aos lábios à minha procura,
ai meu amor, ai minha amada,
em mim todo esse fogo se repete,
em mim nada se apaga nem se esquece,
o meu amor alimenta-se do teu amor,
e enquanto viveres estará nos teus braços
sem sair dos meus."
Pablo Neruda, in "Poemas de Amor de Pablo Neruda"

domingo, 28 de dezembro de 2014

Recife não é mais o mesmo

Recife, PE
domingo, 09:00
Nublado
27 graus

Susto e tristeza foi o que seti ao chegar, ultimo dia 24, véspera do Natal, e percorrer as ruas do Recife, e ver uma cidade completamente despida do espírito natalino.
 Outrora brilhante, com todas as praças e avenidas coloridas e iluminadas com detalhes natalinos, a cidade, nesse Natal de 2014, mostra-se completamente nua. 
Os poucos enfeites que se vê aqui são em alguns prédios privados. Por que a Prefeitura do Recife ficou tão omissa nessa questão é um caso pra se pensar.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Bom dia com poesia

Ainda em ritmo natalino, desejo uma sexta-feira de muita luz, paz e alegria procês. Fiquem com o Poetinha!
"Poema de Natal
Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente."
Vinicius de Moraes

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Feliz Natal

Neste Natal quero lembrar dos que vivem em guerra e orar pela paz, elevar meu pensamento a Deus e desejar que o amor fale mais alto no coração daqueles que carregam ódio. 
Quero perdoar a todos que me magoaram, pedir perdão aqueles a quem magoei, fazer uma prece de fé e esperança por dias melhores, esquecer as tristezas, pensar na alegria de viver, acreditar num mundo melhor. 
Quero agradecer a Deus pelo teto quando tem tanta gente desabrigada, pelo alimento quando tantos passam fome, por ter saúde, quando tantos estão doentes do corpo e da alma .
Agradecer por ter um lar quando tantos dormem nas ruas, por ser feliz, quando tantos amargam a dor do abandono.
E aos amigos que nos seguem e nos leem, nossos mais sinceros agradecimentos e o desejo de um e Feliz Natal e próspero Ano Novo para todos.

Justificando o injustificado

Cid Gomes, na Educação,
Kátia Abreu, na Agricultura,
Kassab no Ministério das Cidades
Garotinho, no Banco do Brasil, 

Esses são aliados que ajudaram a eleger Dilma.  Por conta  disso têm que receber seu quinhão no novo governo e também vão evitar com suas reputações ilibadas o "golpe" do injustificável impeachment.
Pelo menos, esse é o argumento das mentes brilhantes para defender o indefensável ministério recém anunciado. 
E os movimentos sociais que garantiram a reeleição são o quê? Inimigos?

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Horrores do regime militar

CNV: Violência sexual como método de tortura era comum no regime militar


CNV: Violência sexual como método de tortura era comum no regime militar
Relatório da Comissão Nacional da Verdade relata que crueldade de métodos era intensificada contra mulheres, submetidas a estupros, desnudamento forçado, abortos provocados e separação e tortura dos filhos por parte de agentes do Estado brasileiro

Por Agência Patrícia Galvão

A violência sexual como método de tortura física e psicológica como política de Estado vitimou mulheres e homens durante a Ditadura Militar, constituindo graves violações aos direitos humanos e crimes contra a humanidade. Para elas, entretanto, a crueldade era intensificada pelo fato de serem mulheres. Depoimentos das sobreviventes colocam em evidência os múltiplos métodos usados pelos agentes da repressão: estupros, humilhação ininterrupta, desnudamento forçado, abortos provocados, separação dos filhos e tortura contra os companheiros e familiares.
O cenário desumano é detalhado no capítulo “Violência sexual, violência de gênero e violência contra as mulheres e crianças” do Relatório Final da Comissão Nacional da Verdade (CNV), divulgado na última quarta-feira (10/12). O texto utilizou como base a definição de “discriminação contra a mulher” da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (CEDAW), definida como toda distinção, exclusão ou restrição baseada no sexo e que tenha por objeto ou resultado prejudicar ou anular o reconhecimento, gozo ou exercício pela mulher dos direitos humanos e liberdades fundamentais.
Lucia Murat contou em depoimento à CNV em maio ter sido vítima de tortura sexual e que poderia ter provocado sua própria morte caso tentasse se proteger. “Eu ficava nua, com o capuz na cabeça, uma corda enrolada no pescoço, passando pelas costas até as mãos, que estavam amarradas atrás da cintura. Enquanto o torturador ficava mexendo nos meus seios, na minha vagina, penetrando com o dedo na vagina, eu ficava impossibilitada de me defender, pois, se eu movimentasse os meus braços para me proteger, eu me enforcava e, instintivamente, eu voltava atrás”.
Com base em testemunhos como o de Lucia junto a investigações do grupo de trabalho “Ditadura e Gênero”, a CNV constatou que a violência sexual praticada por agentes públicos ocorria de forma disseminada,  com registros que coincidem com as primeiras prisões, logo após o golpe de Estado, constituindo instrumento de tortura e violação dos Direitos Humanos.
“Inserida na lógica da tortura e estruturada na hierarquia de gênero e sexualidade, a violência sexual relatada por sobreviventes da ditadura militar constitui abuso de poder não apenas se considerarmos poder como a faculdade ou a possibilidade do agente estatal infligir sofrimento, mas também a permissão (explicita ou não) para fazê-lo. Foi assim que rotineiramente, nos espaços em que a tortura tornou-se um meio de exercício de poder e dominação total, a feminilidade e a masculinidade foram mobilizadas para perpetrar a violência, rompendo todos os limites da dignidade humana”, descreve o texto.
De acordo com o Estatuto de Roma, citado pelo documento, a agressão sexual, escravidão sexual, prostituição, gravidez e esterilização forçadas ou qualquer outra forma de violência sexual de gravidade comparável constituem crimes contra a humanidade.
Práticas como detenção arbitrária e tortura, por meio de choques nos órgãos genitais, golpes nos seios e no estômago para provocar aborto ou afetar a capacidade reprodutiva, introdução de objetos e/ou animais na vagina e/ou anus e choque elétrico nos genitais foram cometidos contra as mulheres presas em diversos locais: DEIC, DOI-CODI, DOPS, Base Aérea do Galeão, batalhões da Polícia do Exército, Casa da Morte (Petrópolis), Cenimar, CISA, delegacias de polícia, Oban, hospitais militares, presídios e quartéis. A violência sexual nesses locais era empregada como arma.
As mulheres, militantes ou não, incluindo religiosas, eram tidas como merecedoras de violações pelos militares, formados numa ótica sexista e homofóbica. Para as militantes, porém, a situação se agravava. Contra elas a tortura também era empregada para arrancar delações sobre namorados, maridos e companheiros. Entre os casais presos, era comum que a mulher fosse violentada na frente do parceiro, imobilizado no pau de arara e também vítima de violência.
Márcia Bassetto Paes relatou ao CNV a tortura sofrida quando foi presa com Celso Giovanetti Brambilla pelo Deops/SP, em 28 de abril de 1977. “Na questão da mulher, a coisa ficava pior porque… quer dizer pior, era pior para todo mundo, não tinha melhor para ninguém, né? Mas [...] existia uma intenção da humilhação enquanto mulher. Então, o choque na vagina, no anus, nos mamilos, alicate no mamilo, então… eram as coisas que eles faziam. Muitas vezes, eu fui torturada junto com Celso Brambilla porque a gente sustentou a questão de ser noivo. Eles usaram, obviamente, essa situação, esse vínculo, suposto vínculo, além da militância, que seria um vínculo afetivo também, para tortura”.
A maternidade também era usada como instrumento de desestruturação das mulheres. Ameaças aos filhos recém-nascidos, injeções para cortar o leite das lactantes e separação compulsória das crianças eram frequentes. “Mutilações nos seios privaram mães de amamentar seus bebês. Úteros queimados com choques elétricos tornaram muitas mulheres incapazes de engravidar ou de levar adiante uma gestação”, revela o documento.
Com menos de dois anos de idade, a filha de Eleonora Menicucci de Oliveira, atual ministra chefe da Secretaria de Política para as Mulheres da Presidência da República, então militante, foi ameaçada pelo uso de choques elétricos, por Lourival Gaeta. “Um dia, eles me levaram para um lugar que hoje eu localizo como sendo a sede do Exército, no Ibirapuera. Lá estava a minha filha de um ano e dez meses, só de fralda, no frio. Eles a colocaram na minha frente, gritando, chorando, e ameaçavam dar choque nela. (…) Até depois de sair da cadeia, quase três anos depois, eu convivi com o medo de que a minha filha fosse pega”.
Muitas vítimas fatais da ditadura foram submetidas à violência sexual antes de desaparecer ou de serem assassinadas. Foi o caso de Anatalia de Souza Melo Alves, que teve os órgãos genitais queimados, antes de sua morte, em janeiro de 1973, no local em que funcionava a Seção de Comissariado da Delegacia de Segurança Social da Secretaria de Estado dos Negócios de Segurança Pública, em Pernambuco.
O relatório aponta também as marcas permanentes deixadas nas mulheres que sobreviveram à tortura: medo, vergonha, angústia e interferência nas decisões sobre os rumos para a própria vida.
“O fato de os crimes terem sido cometidos por agentes públicos encarregados de proteger a sociedade, a vida e a integridade física de seus cidadãos os fez aumentar o sofrimento da maioria dos sobreviventes, que ainda hoje padecem ao lidar com o estigma em torno dos crimes sexuais, a indiferença da sociedade e a impunidade dos violadores”, aponta o documento.
Essa é a realidade de Cristina Moraes Almeida, presa pela primeira vez aos 19 anos, em 1969. Nas sessões de tortura, sofreu mutilações na região do tórax e nos seios e teve a perna estraçalhada por uma furadeira.
“Eu quero esquecer. Mas eu te pergunto: qual é o profissional, na Psicologia, que vai apagar essas marcas? Não tem. Não tem. E hoje em dia eles [torturadores] dizem: ‘eu não sei, eu não vi, não me comprometa’. Olha, tacharem como torturador é um elogio. Assassino em série, sem sombra de duvida. [...] Eu quero sair deste capítulo. Porque eu estou vivendo como se fosse ontem”.
A feminista Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha, foi presa na Operação Bandeirante (OBAN) com o marido, César, em 1972, quando era militante política. Na prisão foi torturada e teve a maternidade usada contra ela ao ter suas crianças, Janaína e Edson, raptadas na Operação Bandeirante e levadas à sala de tortura para presenciar a violência sofrida pelo casal na prisão. Ao ver o lançamento do relatório final da CNV ela espera que a justiça seja feita para as vítimas.
“O estupro era usado largamente. Muitas mulheres foram estupradas e diria que as que foram assassinadas ou estão desaparecidas tiveram a violência sexual como forma do inimigo, “o Estado”, de se declarar dono do corpo dela, com poder político e social sobre ela. Durante a ditadura Militar, foi grande o número de depoentes vítimas que denunciaram os estupros e nós do movimento feminista entendemos que o estupro praticado por um agente do estado em pleno exercício da sua função como uma ação repressiva deve ser considerada uma violação de direitos humanos e crimes de lesa-humanidade, portanto, crimes imprescritíveis que devem ser devidamente punidos como previsto pelos tratados internacionais”.

Foto de capa: Agência Efe
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Comissão da Verdade deu mais canseira em Amorim que o caso de propina na FAB

Brasil-dice-que-Bolivia-violo-inmunidad-del-avion-militar-de-Amorim-en-2011-  
Um comentário que rodava nesta sexta, 12, no círculo próximo ao ministro da Defesa, Celso Amorim, é que a denúncia de pagamento de propina na Força Aérea Brasileira ficou muito longe de ter sido o maior problema da semana.
Amorim comentou com os mais próximos que a “canseira” foi muito maior em ter que atuar como mediador entre as Forças Armadas, o governo e a Comissão da Verdade, para evitar que o relatório final do colegiado virasse estopim de uma troca pública de ataques.
Amorim, dizem auxiliares, relembrou os tempos do Itamaraty. Atuou como “diplomata”.(Portal IG – Poder Online – Luciana Lima)

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