terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Bom dia!

 Com o desejo de uma terça-feira de muita paz para todos nós, hoje vamos de Jorge de Lima:

Invenção de Orfeu
1.
Um barão assinalado
sem brasão, sem gume e fama
cumpre apenas o seu fado:
amar, louvar sua dama,
dia e noite navegar,
que é de aquém e de além-mar
a ilha que busca e amor que ama.

Nobre apenas de memórias,
vai lembrando de seus dias,
dias que são as histórias,
histórias que são porfias
de passados e futuros,
naufrágios e outros apuros,
descobertas e alegrias.

Alegrias descobertas
ou mesmo achadas, lá vão
a todas as naus alertas
de vaia mastreação,
mastros que apoiam caminhos
a países de outros vinhos.
Está é a ébria embarcação.

Barão ébrio, mas barão,
de manchas condecorado;
entre o mar, o céu e o chão
fala sem ser escutado
a peixes, homens e aves,
bocas e bicos, com chaves,
e ele sem chaves na mão.

2.
A ilha ninguém achou
porque todos o sabíamos.
Mesmo nos olhos havia
uma clara geografia.

Mesmo nesse fim de mar
qualquer ilha se encontrava,
mesmo sem mar e sem fim,
mesmo sem terra e sem mim.

Mesmo sem naus e sem rumos,
mesmo sem vagas e areias,
há sempre um copo de mar
para um homem navegar.

Nem achada e nem não vista
nem descrita nem viagem,
há aventuras de partidas
porém nunca acontecidas.

Chegados nunca chegamos
eu e a ilha movediça.
Móvel terra, céu incerto,
mundo jamais descoberto.

Indícios de canibais,
sinais de céu e sargaços,
aqui um mundo escondido
geme num búzio perdido.

Rosa-de-ventos na testa,
maré rasa, aljofre, pérolas,
domingos de pascoelas.
E esse veleiro sem velas!

Afinal: ilha de praias.
Quereis outros achamentos
além dessas ventanias
tão tristes, tão alegrias?

(Trecho de Invenção de Orfeu, de Jorge de Lima).

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Deputada pedetista ganha emprego vitalício

Patrícia Saboya vai trocar a AL pelo TCE

A Assembleia Legislativa do Ceará iniciou, ontem, o processo de escolha para o preenchimento da vaga de conselheiro do Tribunal de Conta do Estado (TCE). A indicação da Mesa Diretora começou a ser articulada com a participação direta do presidente da AL, deputado José Albuquerque (Pros). O nome a ser indicado é o da deputada Patrícia Saboya (PDT), que já admitiu ter interesse pela vaga e conta com o apoio dos colegas. O documento com a indicação já foi subscrito por 34 parlamentares, 25 assinaturas a mais do que o mínimo necessário.
A vaga na Corte de Contas foi aberta após o anúncio de aposentadoria compulsória do conselheiro Pedro Timbó, na última terça-feira. O preenchimento do cargo deve resultar da escolha feita pela Assembleia, segundo os critérios estabelecidos pela Constituição Estadual.
Com o ofício do TCE em mãos, o deputado José Albuquerque (Pros) explicou que, agora, a indicação tem cinco sessões para coleta de assinaturas e segue para Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ), onde acontecerá uma sabatina com a candidata ao cargo. No prazo de 24 horas, a matéria retorna na forma de projeto de decreto legislativo para o plenário. A expectativa nos bastidores é que a matéria seja aprovada na próxima quinta-feira, uma vez que não há oposição à recomendação da Casa.
A deputada Patrícia Saboya esteve presente à sessão plenária de ontem, porém, evitou comentar a indicação.  Na ocasião, cumprimentou alguns colegas e, até mesmo, conversou demoradamente com outros parlamentares. Aos jornalistas, ela afirmou que só falaria após a definição da Assembleia. Antes, por sua vez, alguns parlamentares se manifestaram em sua defesa, inclusive criticando a postura da conselheira do TCE, Soraya Victor, que defende a indicação de nomes técnicos ao invés de indicações “políticas”.
Sobre a escolha, o deputado Heitor Férrer (PDT) ressaltou que Patrícia é a melhor candidata. “A deputada reúne todas as condições para ser conselheira do Tribunal de Contas do Estado. Já foi vereadora, deputada, senadora e é de uma conduta exemplar na vida pública e privada, exerceu função de presidente da Comissão de Finanças da Câmara de Vereadores. Portanto, está dentro da Constituição preceitua. Não tem nada que possa ser questionada”, disse.
Roberto Mesquita (PV), ao utilizar a tribuna da Casa, criticou o comentário da Soraya, que defendeu a busca por conselheiros mais técnicos e menos políticos. Segundo ressaltou, ela é conselheira hoje por decisão judicial, já que teve seu nome rejeitado pela Assembleia e, por isso, é “rancorosa” com o Parlamento estadual. E defendeu que os deputados exerçam seu direito garantido pela legislação estadual.
CRITÉRIOS
De acordo com o artigo 79 da Constituição Estadual, o TCE é composto por sete conselheiros, que devem ser escolhidos dentre brasileiros com mais de 35 anos e menos de 65 anos, de idoneidade moral, reputação ilibada e notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos, financeiros ou de administração pública, com mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exija os conhecimentos mencionados.
Ainda segundo a Constituição, três conselheiros são escolhidos pelo governador, com aprovação da Assembleia Legislativa, sendo escolhidos alternadamente entre auditores e membros do Ministério Público, indicados em lista tríplice organizada pelo Tribunal. Outros quatro integrantes do TCE são escolhidos pela Assembleia Legislativa.
VANTAGENS
A Corte de Contas é o órgão responsável por fiscalizar as contas do governo do Estado. A Constituição Estadual determina que as vagas são vitalícias e os conselheiros devem ter as mesmas garantias, prerrogativas, impedimentos, vencimentos, direitos e vantagens dos desembargadores do Tribunal de Justiça, onde o salário mensal é cerca de R$ 26.589,68. Diante das vantagens, a vaga é cobiçada por parlamentares e secretários estaduais.

Gonzagão, a Lenda, homenagem ao Rei do Baião, chega a Fortaleza



 Nos dias 21, 22 e 23 próximos, Fortaleza recebe o musical “Gonzagão, a Lenda”, espetáculo multipremiado que já foi visto por 65 mil no Brasil. As apresentações na cidade são promovidas pela Rede, empresa do grupo Itaú Unibanco, para homenagear um dos maiores nomes da música brasileira. “É muito importante valorizarmos a obra de Gonzagão, artista que é um marco para o povo nordestino e para o Brasil”, diz Cristiane Magalhães, diretora de Marketing de Negócios do Itaú Unibanco.

O musical “Gonzagão, a Lenda”, idealizado pela produtora Andréa Alves, com texto e direção de João Falcão, é uma homenagem ao grande ícone da cultura brasileira. Há um ano em cartaz e com diversos prêmios e lindas críticas na bagagem, o espetáculo foi visto por cerca de 65 mil pessoas no Rio de Janeiro e em São Paulo e foi vencedor do Prêmio Shell de Teatro 2012 de Melhor Música; do 7º Prêmio APTR de Melhor Produção; e do Prêmio FITA 2013 nas categorias Melhor Espetáculo (Júri Popular), Melhor Direção e Melhor Figurino.

Sobre o espetáculo

Oito atores e uma atriz se revezam no palco em uma viagem musical pela trajetória do Rei do Baião. Como em qualquer história de homem que vira mito, a vida de Luiz Gonzaga tem passagens em que as versões de seus biógrafos não convergem, em que realidade e fantasia se confundem. Mas o autor e diretor João Falcão se sentiu livre para tratar mais do mito do que do homem.

“É a história de Luiz Gonzaga, mas não é Wikipédia”, diz Falcão, que evitou qualquer didatismo na construção do texto, embora tenha lido vários livros sobre um dos artistas mais importantes da música brasileira, morto em 2 de agosto de 1989, cujo centenário de nascimento foi comemorado em dezembro de 2012.

A opção por uma abordagem teatral, não enciclopédica, fica explícita logo no início da peça, quando uma trupe se apresenta para contar a “lenda do Rei Luiz”. Os atores desta trupe anunciam que encenarão uma história iniciada “no sertão do Araripe lá pelos idos do século XX”. As referências são maciçamente nordestinas, sobretudo pernambucanas.

Luiz Gonzaga nasceu no município de Exu, de onde saiu aos 17 anos para ganhar o mundo. João Falcão também é de Pernambuco, da cidade de São Lourenço da Mata. “A festa mais importante da minha casa era a de São João, e São João era Luiz Gonzaga. Ele era patrimônio do povo, mais do que qualquer outro artista. Poucas músicas que estou usando no espetáculo descobri agora. A maioria eu sabia de cor, já sabia tocar”, conta ele, que também é compositor.

Na história do rei do baião, João Falcão se permitiu rebatizar duas mulheres importantes da vida do músico, Nazarena (o primeiro grande amor) e Odaléa (a mãe de Gonzaguinha) como Rosinha e Morena, respectivamente, nomes que aparecem em músicas do compositor. E ainda se permitiu criar um encontro que nunca aconteceu: Luiz Gonzaga e Lampião, dois mitos nordestinos.

Também há espaço para se falar da originalidade de Gonzaga, um artista que, a partir dos ensinamentos de seu pai, Januário, criou em sua sanfona um gênero, o baião, e o transformou em sucesso e patrimônio nacionais. Dentre as cerca de 40 canções que estão no espetáculo há sucessos como “Cintura fina”, “O xote das meninas”, “Qui nem jiló”, “Baião”, “Pau-de-arara” e sua mais célebre criação, “Asa branca”.

De acordo com a linha não dogmática de todo o espetáculo, o musical não ficou preso à estrutura básica do forró, que é sanfona-triângulo-zabumba. No conjunto dos quatro instrumentistas virtuoses que atuam no palco, há, além do sanfoneiro (Rafael Meninão) e do percussionista (Rick De La Torre), um violoncelista (Daniel Silva) e um rabequeiro e violeiro (Beto Lemos).
Os arranjos de todas as músicas foram elaborados pelos quatro músicos, que por conta da longa temporada estão em grande sintonia e presenteiam a plateia com improvisos em todas as apresentações, um privilégio para o espectador e uma renovação diária para a montagem. Beto Lemos rouba a cena em “Assum Preto”, em um solo de rabeca que já foi aplaudido durante cinco minutos em cena aberta.

SERVIÇO
Musical Gonzagão – A Lenda
Quando: dias 21 e 22, às 20h e dia 23, às 19h
Onde: Anfiteatro do Dragão do Mar

Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia)

Vara de Execuções Penais dá prazo para Dirceu pagar multa à Justiça


Vara de Execuções Penais determina que Dirceu pague multa

A Vara de Execuções Penais do Distrito Federal determinou hoje (20) que o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu pague multa de R$ 971 mil em função da condenação por corrupção na Ação Penal 470, o processo do mensalão. O pagamento deve ser feito em dez dias, após a defesa ser notificada.
Antes mesmo da determinação da Justiça, um site foi criado para arrecadar a quantia a ser paga por meio de doações online. Até o momento, foram arrecadados R$ 763,7 mil. O valor foi depositado por 2.591 doadores.
O pagamento de multas com ajuda de apoiadores é questionada por partidos de oposição. Na semana passada, o PPS entrou com uma representação no Ministério Público para bloquear o dinheiro arrecadado na internet para pagar a multa. Na representação, o líder do partido, deputado federal Rubens Bueno (PR),  diz que todos os condenados estão obrigados a ressarcir o erário público e, no caso do ex-ministro, considerado “o principal acusado no esquema de desvio do mensalão e réu em ação de improbidade”.
A assessoria de José Dirceu criticou o pedido e disse que não tem cabimento. De acordo com nota divulgada à imprensa, ao pedir o bloqueio das doações online “a oposição mais uma vez cria um factoide com objetivos políticos”.

“A oposição não se conforma por não ter conseguido – mesmo com todo o suporte midiático que teve e tem à disposição – levar os réus ao ostracismo. Não se conforma com a existência de uma militância aguerrida, solidária, justa e incansável. Temos certeza de que esse novo factóide apenas dará novo fôlego aos brasileiros e brasileiras para fazer desta campanha um gesto humano e político contra a implacável perseguição da qual José Dirceu vem sendo alvo”, diz a nota. (Agência de Notícias)

Cliente insatisfeito poderá pedir cancelamento do serviço sem precisar falar com atendente

Anatel aprova cancelamento automático de serviços
A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) aprovou, ontem, o regulamento que permite o cancelamento automático de serviços como telefonia fixa, móvel, internet e TV por assinatura.  Além disso, a agência também passa a exigir que os créditos comercializados para celulares pré-pagos tenham prazo de vencimento mínimo de 30 dias.  De acordo com a própria reguladora, as empresas hoje chegam a comercializar algumas opções de recarga para esses aparelhos que expiram em um ou em cinco dias - o que prejudica o consumidor, nem sempre informado ou atento ao prazo no momento da compra.  As duas novas regras começam a valer dentro de 120 dias.
CANCELAMENTO
A opção de cancelamento automático, que foi aprovada, permite ao usuário a opção de ligar para a central de atendimento da empresa e cancelar qualquer serviço apenas selecionando a opção indicada, sem precisar passar por um operador ou por um funcionário da companhia. Da mesma forma, o cliente que quiser cancelar o serviço pela internet também terá essa possibilidade. De acordo com o texto aprovado pelo conselho da reguladora fica mantida a regra atual para que a rescisão feita com auxílio de um atendente continue tendo efeito imediato.
Há uma diferença, porém, no cancelamento automático. O relator, Rodrigo Zerbone, disse que, para garantir a segurança do usuário e impedir cancelamentos feitos por engano, a efetivação desse pedido se dará apenas em dois dias úteis. Nesse período, o serviço continuará sendo prestado e o consumidor poderá reavaliar e reverter a decisão. Ou seja, o usuário poderá mudar de ideia e continuar com o serviço ativo.
  Durante esse prazo de dois dias, como o serviço continuará em funcionamento, todos os gastos feitos pelo usuário poderão ser cobrados pela prestadora. Após os dois dias, quando concluído o cancelamento, nenhuma despesa poderá ser cobrada.

Esvaziamento do Congresso Nacional

MAIS UM PAPELÃO NO SENADO
Carlos Chagas

Na tarde de terça-feira 68 senadores acusaram presença na sessão deliberativa encerrada às 19 horas, mas quando se dirigiram ao plenário da Câmara, para reunião conjunta do Congresso Nacional, apenas 15 compareceram. Eram necessários 41 para iniciar a apreciação do veto aposto pela presidente Dilma ao projeto de criação de 180 novos municípios. A conclusão é de que 53 senadores escafederam-se. Perderam-se nos corredores do Legislativo, foram para casa ou jantaram antes da hora, nos restaurantes de luxo de Brasília.
O resultado foi que não havendo votação entre os senadores, automaticamente ficou suprimida a votação entre os deputados, que deveria seguir-se. Na Câmara, o quorum era de 379, sendo que bastariam 257 para apreciar o veto, calculando-se que pelo menos 200, inclusive de partidos da base oficial, votariam contra a decisão da presidente Dilma.
De todos esses números sobrou inequívoco mau cheiro, porque o veto seria derrubado e os novos municípios criados, beneficiando em especial os estados do Norte, onde muitas vezes distritos são separados da sede de seus municípios por 500 e até mil quilômetros, merecendo, assim, tornar-se independentes.
Foram os senadores governistas os responsáveis pela monumental garfada nas tendências da maioria parlamentar. Para agradar a presidente faltaram ao dever principal que é exercer o respectivo mandato. Votar em favor do governo é um direito do qual abriram mão pelo artifício de não votar, coisa que contraria a mais simples das regras da democracia. Serão compensados, é claro, mas a ninguém será dado contestar que fizeram um papelão. Com o PT à frente, inverteram a equação,apoiados pelos colegas do PMDB, quase todos, bem como dos demais penduricalhos.
Eis uma evidência a mais de como se faz a má política no Congresso. Um artifício regimental, com os partidos entrando em obstrução, mesmo os governistas, salvou a apreciação do veto, que ficou para daqui um mês. Até lá o palácio do Planalto inventará novas firulas para não deixar que Dilma seja derrotada. Provavelmente mobilizando seus senadores para outra sessão de ausências. Enquanto isso, são prejudicados estados do Norte, onde as distâncias travam o desenvolvimento.
O pretexto para o veto foi a necessidade de evitar aumento de despesas. Há controvérsias, depois que bilhões dos cofres públicos tem sido gastos na construção de monumentais estádios de futebol.
ELES TEM, NÓS NÃO TEMOS

Em recente entrevista o ex-presidente do BNDES, Carlos Lessa, contesta a generalização de que todos os Brics se equivalem. Não é verdade, porque Rússia, Índia e China possuem a bomba atômica e dispões de submarinos nucleares, além de já terem iniciado incursões pelo espaço. Quanto a nós…

Momento poesia

Bom dia! Com o desejo de uma sexta-feira plena de luz e paz, mais um poema de primeiríssima qualidade para deleite dos que curtem essa maravilhosa arte.

O Cão Sem Plumas
(João Cabral de Melo Neto)

A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.

O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.

Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.

Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.

Sabia da lama
como de uma mucosa.
Devia saber dos povos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.

Aquele rio
jamais se abre aos peixes,
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes.
Jamais se abre em peixes.

DESTAQUE

Violência contra as mulheres: confira os projetos em análise no Senado Fonte: Agência Senado

O Senado tem discutido e aprovado propostas para fortalecer a proteção contra esse tipo de violência Proposições legislativas ...