Com o desejo de uma terça-feira de muita paz para todos nós, hoje vamos de Jorge de Lima:
Invenção de Orfeu
1.
Um barão assinalado
sem brasão, sem gume e fama
cumpre apenas o seu fado:
amar, louvar sua dama,
dia e noite navegar,
que é de aquém e de além-mar
a ilha que busca e amor que ama.
Nobre apenas de memórias,
vai lembrando de seus dias,
dias que são as histórias,
histórias que são porfias
de passados e futuros,
naufrágios e outros apuros,
descobertas e alegrias.
Alegrias descobertas
ou mesmo achadas, lá vão
a todas as naus alertas
de vaia mastreação,
mastros que apoiam caminhos
a países de outros vinhos.
Está é a ébria embarcação.
Barão ébrio, mas barão,
de manchas condecorado;
entre o mar, o céu e o chão
fala sem ser escutado
a peixes, homens e aves,
bocas e bicos, com chaves,
e ele sem chaves na mão.
2.
A ilha ninguém achou
porque todos o sabíamos.
Mesmo nos olhos havia
uma clara geografia.
Mesmo nesse fim de mar
qualquer ilha se encontrava,
mesmo sem mar e sem fim,
mesmo sem terra e sem mim.
Mesmo sem naus e sem rumos,
mesmo sem vagas e areias,
há sempre um copo de mar
para um homem navegar.
Nem achada e nem não vista
nem descrita nem viagem,
há aventuras de partidas
porém nunca acontecidas.
Chegados nunca chegamos
eu e a ilha movediça.
Móvel terra, céu incerto,
mundo jamais descoberto.
Indícios de canibais,
sinais de céu e sargaços,
aqui um mundo escondido
geme num búzio perdido.
Rosa-de-ventos na testa,
maré rasa, aljofre, pérolas,
domingos de pascoelas.
E esse veleiro sem velas!
Afinal: ilha de praias.
Quereis outros achamentos
além dessas ventanias
tão tristes, tão alegrias?
(Trecho de Invenção de Orfeu, de Jorge de Lima).
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Deputada pedetista ganha emprego vitalício
Patrícia Saboya vai trocar a AL pelo TCE
A Assembleia Legislativa do Ceará iniciou, ontem, o processo de escolha para o preenchimento da vaga de conselheiro do Tribunal de Conta do Estado (TCE). A indicação da Mesa Diretora começou a ser articulada com a participação direta do presidente da AL, deputado José Albuquerque (Pros). O nome a ser indicado é o da deputada Patrícia Saboya (PDT), que já admitiu ter interesse pela vaga e conta com o apoio dos colegas. O documento com a indicação já foi subscrito por 34 parlamentares, 25 assinaturas a mais do que o mínimo necessário.
A vaga na Corte de Contas foi aberta após o anúncio de aposentadoria compulsória do conselheiro Pedro Timbó, na última terça-feira. O preenchimento do cargo deve resultar da escolha feita pela Assembleia, segundo os critérios estabelecidos pela Constituição Estadual.
Com o ofício do TCE em mãos, o deputado José Albuquerque (Pros) explicou que, agora, a indicação tem cinco sessões para coleta de assinaturas e segue para Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ), onde acontecerá uma sabatina com a candidata ao cargo. No prazo de 24 horas, a matéria retorna na forma de projeto de decreto legislativo para o plenário. A expectativa nos bastidores é que a matéria seja aprovada na próxima quinta-feira, uma vez que não há oposição à recomendação da Casa.
A deputada Patrícia Saboya esteve presente à sessão plenária de ontem, porém, evitou comentar a indicação. Na ocasião, cumprimentou alguns colegas e, até mesmo, conversou demoradamente com outros parlamentares. Aos jornalistas, ela afirmou que só falaria após a definição da Assembleia. Antes, por sua vez, alguns parlamentares se manifestaram em sua defesa, inclusive criticando a postura da conselheira do TCE, Soraya Victor, que defende a indicação de nomes técnicos ao invés de indicações “políticas”.
Sobre a escolha, o deputado Heitor Férrer (PDT) ressaltou que Patrícia é a melhor candidata. “A deputada reúne todas as condições para ser conselheira do Tribunal de Contas do Estado. Já foi vereadora, deputada, senadora e é de uma conduta exemplar na vida pública e privada, exerceu função de presidente da Comissão de Finanças da Câmara de Vereadores. Portanto, está dentro da Constituição preceitua. Não tem nada que possa ser questionada”, disse.
Roberto Mesquita (PV), ao utilizar a tribuna da Casa, criticou o comentário da Soraya, que defendeu a busca por conselheiros mais técnicos e menos políticos. Segundo ressaltou, ela é conselheira hoje por decisão judicial, já que teve seu nome rejeitado pela Assembleia e, por isso, é “rancorosa” com o Parlamento estadual. E defendeu que os deputados exerçam seu direito garantido pela legislação estadual.
CRITÉRIOS
De acordo com o artigo 79 da Constituição Estadual, o TCE é composto por sete conselheiros, que devem ser escolhidos dentre brasileiros com mais de 35 anos e menos de 65 anos, de idoneidade moral, reputação ilibada e notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos, financeiros ou de administração pública, com mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exija os conhecimentos mencionados.
Ainda segundo a Constituição, três conselheiros são escolhidos pelo governador, com aprovação da Assembleia Legislativa, sendo escolhidos alternadamente entre auditores e membros do Ministério Público, indicados em lista tríplice organizada pelo Tribunal. Outros quatro integrantes do TCE são escolhidos pela Assembleia Legislativa.
VANTAGENS
A Corte de Contas é o órgão responsável por fiscalizar as contas do governo do Estado. A Constituição Estadual determina que as vagas são vitalícias e os conselheiros devem ter as mesmas garantias, prerrogativas, impedimentos, vencimentos, direitos e vantagens dos desembargadores do Tribunal de Justiça, onde o salário mensal é cerca de R$ 26.589,68. Diante das vantagens, a vaga é cobiçada por parlamentares e secretários estaduais.
A vaga na Corte de Contas foi aberta após o anúncio de aposentadoria compulsória do conselheiro Pedro Timbó, na última terça-feira. O preenchimento do cargo deve resultar da escolha feita pela Assembleia, segundo os critérios estabelecidos pela Constituição Estadual.
Com o ofício do TCE em mãos, o deputado José Albuquerque (Pros) explicou que, agora, a indicação tem cinco sessões para coleta de assinaturas e segue para Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ), onde acontecerá uma sabatina com a candidata ao cargo. No prazo de 24 horas, a matéria retorna na forma de projeto de decreto legislativo para o plenário. A expectativa nos bastidores é que a matéria seja aprovada na próxima quinta-feira, uma vez que não há oposição à recomendação da Casa.
A deputada Patrícia Saboya esteve presente à sessão plenária de ontem, porém, evitou comentar a indicação. Na ocasião, cumprimentou alguns colegas e, até mesmo, conversou demoradamente com outros parlamentares. Aos jornalistas, ela afirmou que só falaria após a definição da Assembleia. Antes, por sua vez, alguns parlamentares se manifestaram em sua defesa, inclusive criticando a postura da conselheira do TCE, Soraya Victor, que defende a indicação de nomes técnicos ao invés de indicações “políticas”.
Sobre a escolha, o deputado Heitor Férrer (PDT) ressaltou que Patrícia é a melhor candidata. “A deputada reúne todas as condições para ser conselheira do Tribunal de Contas do Estado. Já foi vereadora, deputada, senadora e é de uma conduta exemplar na vida pública e privada, exerceu função de presidente da Comissão de Finanças da Câmara de Vereadores. Portanto, está dentro da Constituição preceitua. Não tem nada que possa ser questionada”, disse.
Roberto Mesquita (PV), ao utilizar a tribuna da Casa, criticou o comentário da Soraya, que defendeu a busca por conselheiros mais técnicos e menos políticos. Segundo ressaltou, ela é conselheira hoje por decisão judicial, já que teve seu nome rejeitado pela Assembleia e, por isso, é “rancorosa” com o Parlamento estadual. E defendeu que os deputados exerçam seu direito garantido pela legislação estadual.
CRITÉRIOS
De acordo com o artigo 79 da Constituição Estadual, o TCE é composto por sete conselheiros, que devem ser escolhidos dentre brasileiros com mais de 35 anos e menos de 65 anos, de idoneidade moral, reputação ilibada e notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos, financeiros ou de administração pública, com mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exija os conhecimentos mencionados.
Ainda segundo a Constituição, três conselheiros são escolhidos pelo governador, com aprovação da Assembleia Legislativa, sendo escolhidos alternadamente entre auditores e membros do Ministério Público, indicados em lista tríplice organizada pelo Tribunal. Outros quatro integrantes do TCE são escolhidos pela Assembleia Legislativa.
VANTAGENS
A Corte de Contas é o órgão responsável por fiscalizar as contas do governo do Estado. A Constituição Estadual determina que as vagas são vitalícias e os conselheiros devem ter as mesmas garantias, prerrogativas, impedimentos, vencimentos, direitos e vantagens dos desembargadores do Tribunal de Justiça, onde o salário mensal é cerca de R$ 26.589,68. Diante das vantagens, a vaga é cobiçada por parlamentares e secretários estaduais.
Gonzagão, a Lenda, homenagem ao Rei do Baião, chega a Fortaleza
O musical “Gonzagão, a Lenda”, idealizado pela produtora
Andréa Alves, com texto e direção de João Falcão, é uma homenagem ao grande
ícone da cultura brasileira. Há um ano em cartaz e com diversos prêmios e
lindas críticas na bagagem, o espetáculo foi visto por cerca de 65 mil pessoas
no Rio de Janeiro e em São Paulo e foi vencedor do Prêmio Shell de Teatro 2012
de Melhor Música; do 7º Prêmio APTR de Melhor Produção; e do Prêmio FITA 2013
nas categorias Melhor Espetáculo (Júri Popular), Melhor Direção e Melhor
Figurino.
Sobre o espetáculo
Oito atores e uma atriz se revezam no palco em uma viagem
musical pela trajetória do Rei do Baião. Como em qualquer história de homem que
vira mito, a vida de Luiz Gonzaga tem passagens em que as versões de seus
biógrafos não convergem, em que realidade e fantasia se confundem. Mas o autor
e diretor João Falcão se sentiu livre para tratar mais do mito do que do homem.
“É a história de Luiz Gonzaga, mas não é Wikipédia”, diz
Falcão, que evitou qualquer didatismo na construção do texto, embora tenha lido
vários livros sobre um dos artistas mais importantes da música brasileira,
morto em 2 de agosto de 1989, cujo centenário de nascimento foi comemorado em
dezembro de 2012.
A opção por uma abordagem teatral, não enciclopédica, fica
explícita logo no início da peça, quando uma trupe se apresenta para contar a
“lenda do Rei Luiz”. Os atores desta trupe anunciam que encenarão uma história
iniciada “no sertão do Araripe lá pelos idos do século XX”. As referências são
maciçamente nordestinas, sobretudo pernambucanas.
Luiz Gonzaga nasceu no município de Exu, de onde saiu aos 17
anos para ganhar o mundo. João Falcão também é de Pernambuco, da cidade de São
Lourenço da Mata. “A festa mais importante da minha casa era a de São João, e
São João era Luiz Gonzaga. Ele era patrimônio do povo, mais do que qualquer
outro artista. Poucas músicas que estou usando no espetáculo descobri agora. A
maioria eu sabia de cor, já sabia tocar”, conta ele, que também é compositor.
Na história do rei do baião, João Falcão se permitiu
rebatizar duas mulheres importantes da vida do músico, Nazarena (o primeiro
grande amor) e Odaléa (a mãe de Gonzaguinha) como Rosinha e Morena,
respectivamente, nomes que aparecem em músicas do compositor. E ainda se
permitiu criar um encontro que nunca aconteceu: Luiz Gonzaga e Lampião, dois
mitos nordestinos.
Também há espaço para se falar da originalidade de Gonzaga,
um artista que, a partir dos ensinamentos de seu pai, Januário, criou em sua
sanfona um gênero, o baião, e o transformou em sucesso e patrimônio nacionais.
Dentre as cerca de 40 canções que estão no espetáculo há sucessos como “Cintura
fina”, “O xote das meninas”, “Qui nem jiló”, “Baião”, “Pau-de-arara” e sua mais
célebre criação, “Asa branca”.
De acordo com a linha não dogmática de todo o espetáculo, o
musical não ficou preso à estrutura básica do forró, que é
sanfona-triângulo-zabumba. No conjunto dos quatro instrumentistas virtuoses que
atuam no palco, há, além do sanfoneiro (Rafael Meninão) e do percussionista
(Rick De La Torre), um violoncelista (Daniel Silva) e um rabequeiro e violeiro
(Beto Lemos).
Os arranjos de todas as músicas foram elaborados pelos
quatro músicos, que por conta da longa temporada estão em grande sintonia e
presenteiam a plateia com improvisos em todas as apresentações, um privilégio
para o espectador e uma renovação diária para a montagem. Beto Lemos rouba a
cena em “Assum Preto”, em um solo de rabeca que já foi aplaudido durante cinco
minutos em cena aberta.
SERVIÇO
Musical Gonzagão – A Lenda
Quando: dias 21 e 22, às 20h e dia 23, às 19h
Onde: Anfiteatro do Dragão do Mar
Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia)
Vara de Execuções Penais dá prazo para Dirceu pagar multa à Justiça
Vara de Execuções Penais determina que Dirceu pague multa
A Vara de Execuções Penais do Distrito Federal determinou
hoje (20) que o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu pague multa de R$ 971 mil
em função da condenação por corrupção na Ação Penal 470, o processo do
mensalão. O pagamento deve ser feito em dez dias, após a defesa ser notificada.
Antes mesmo da determinação da Justiça, um site foi criado
para arrecadar a quantia a ser paga por meio de doações online. Até o momento,
foram arrecadados R$ 763,7 mil. O valor foi depositado por 2.591 doadores.
O pagamento de multas com ajuda de apoiadores é questionada
por partidos de oposição. Na semana passada, o PPS entrou com uma representação
no Ministério Público para bloquear o dinheiro arrecadado na internet para
pagar a multa. Na representação, o líder do partido, deputado federal Rubens
Bueno (PR), diz que todos os condenados
estão obrigados a ressarcir o erário público e, no caso do ex-ministro,
considerado “o principal acusado no esquema de desvio do mensalão e réu em ação
de improbidade”.
A assessoria de José Dirceu criticou o pedido e disse que
não tem cabimento. De acordo com nota divulgada à imprensa, ao pedir o bloqueio
das doações online “a oposição mais uma vez cria um factoide com objetivos
políticos”.
“A oposição não se conforma por não ter conseguido – mesmo
com todo o suporte midiático que teve e tem à disposição – levar os réus ao
ostracismo. Não se conforma com a existência de uma militância aguerrida,
solidária, justa e incansável. Temos certeza de que esse novo factóide apenas
dará novo fôlego aos brasileiros e brasileiras para fazer desta campanha um
gesto humano e político contra a implacável perseguição da qual José Dirceu vem
sendo alvo”, diz a nota. (Agência de Notícias)
Cliente insatisfeito poderá pedir cancelamento do serviço sem precisar falar com atendente
Anatel aprova cancelamento automático de serviços
A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) aprovou, ontem, o regulamento que permite o cancelamento automático de serviços como telefonia fixa, móvel, internet e TV por assinatura. Além disso, a agência também passa a exigir que os créditos comercializados para celulares pré-pagos tenham prazo de vencimento mínimo de 30 dias. De acordo com a própria reguladora, as empresas hoje chegam a comercializar algumas opções de recarga para esses aparelhos que expiram em um ou em cinco dias - o que prejudica o consumidor, nem sempre informado ou atento ao prazo no momento da compra. As duas novas regras começam a valer dentro de 120 dias.
CANCELAMENTO
A opção de cancelamento automático, que foi aprovada, permite ao usuário a opção de ligar para a central de atendimento da empresa e cancelar qualquer serviço apenas selecionando a opção indicada, sem precisar passar por um operador ou por um funcionário da companhia. Da mesma forma, o cliente que quiser cancelar o serviço pela internet também terá essa possibilidade. De acordo com o texto aprovado pelo conselho da reguladora fica mantida a regra atual para que a rescisão feita com auxílio de um atendente continue tendo efeito imediato.
Há uma diferença, porém, no cancelamento automático. O relator, Rodrigo Zerbone, disse que, para garantir a segurança do usuário e impedir cancelamentos feitos por engano, a efetivação desse pedido se dará apenas em dois dias úteis. Nesse período, o serviço continuará sendo prestado e o consumidor poderá reavaliar e reverter a decisão. Ou seja, o usuário poderá mudar de ideia e continuar com o serviço ativo.
Durante esse prazo de dois dias, como o serviço continuará em funcionamento, todos os gastos feitos pelo usuário poderão ser cobrados pela prestadora. Após os dois dias, quando concluído o cancelamento, nenhuma despesa poderá ser cobrada.
Esvaziamento do Congresso Nacional
MAIS UM PAPELÃO NO SENADO
Carlos Chagas
Na tarde de terça-feira 68 senadores acusaram presença na
sessão deliberativa encerrada às 19 horas, mas quando se dirigiram ao plenário
da Câmara, para reunião conjunta do Congresso Nacional, apenas 15 compareceram.
Eram necessários 41 para iniciar a apreciação do veto aposto pela presidente
Dilma ao projeto de criação de 180 novos municípios. A conclusão é de que 53
senadores escafederam-se. Perderam-se nos corredores do Legislativo, foram para
casa ou jantaram antes da hora, nos restaurantes de luxo de Brasília.
O resultado foi que não havendo votação entre os senadores,
automaticamente ficou suprimida a votação entre os deputados, que deveria
seguir-se. Na Câmara, o quorum era de 379, sendo que bastariam 257 para
apreciar o veto, calculando-se que pelo menos 200, inclusive de partidos da
base oficial, votariam contra a decisão da presidente Dilma.
De todos esses números sobrou inequívoco mau cheiro, porque
o veto seria derrubado e os novos municípios criados, beneficiando em especial
os estados do Norte, onde muitas vezes distritos são separados da sede de seus
municípios por 500 e até mil quilômetros, merecendo, assim, tornar-se
independentes.
Foram os senadores governistas os responsáveis pela
monumental garfada nas tendências da maioria parlamentar. Para agradar a
presidente faltaram ao dever principal que é exercer o respectivo mandato.
Votar em favor do governo é um direito do qual abriram mão pelo artifício de
não votar, coisa que contraria a mais simples das regras da democracia. Serão
compensados, é claro, mas a ninguém será dado contestar que fizeram um papelão.
Com o PT à frente, inverteram a equação,apoiados pelos colegas do PMDB, quase
todos, bem como dos demais penduricalhos.
Eis uma evidência a mais de como se faz a má política no
Congresso. Um artifício regimental, com os partidos entrando em obstrução,
mesmo os governistas, salvou a apreciação do veto, que ficou para daqui um mês.
Até lá o palácio do Planalto inventará novas firulas para não deixar que Dilma
seja derrotada. Provavelmente mobilizando seus senadores para outra sessão de
ausências. Enquanto isso, são prejudicados estados do Norte, onde as distâncias
travam o desenvolvimento.
O pretexto para o veto foi a necessidade de evitar aumento
de despesas. Há controvérsias, depois que bilhões dos cofres públicos tem sido
gastos na construção de monumentais estádios de futebol.
ELES TEM, NÓS NÃO TEMOS
Em recente entrevista o ex-presidente do BNDES, Carlos
Lessa, contesta a generalização de que todos os Brics se equivalem. Não é
verdade, porque Rússia, Índia e China possuem a bomba atômica e dispões de
submarinos nucleares, além de já terem iniciado incursões pelo espaço. Quanto a
nós…
Momento poesia
Bom dia! Com o desejo de uma sexta-feira plena de luz e paz, mais um poema de primeiríssima qualidade para deleite dos que curtem essa maravilhosa arte.
O Cão Sem Plumas
(João Cabral de Melo Neto)
A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.
O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.
Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.
Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.
Sabia da lama
como de uma mucosa.
Devia saber dos povos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.
Aquele rio
jamais se abre aos peixes,
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes.
Jamais se abre em peixes.
O Cão Sem Plumas
(João Cabral de Melo Neto)
A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.
O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.
Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.
Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.
Sabia da lama
como de uma mucosa.
Devia saber dos povos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.
Aquele rio
jamais se abre aos peixes,
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes.
Jamais se abre em peixes.
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