Aqui em Fortaleza, quarta-feira com cheiro de terra molhada, trazido por uma gostosa chuva vinda da madrugada. Que
maravilha é a chuva!!!! Agora, uns pingos caem fazendo barulho e, para nós nordestinos são uma verdadeira sinfonia. Aos meus
ouvidos, soam como sequências de sustenidos e bemois; e aos meus olhos, gotas de brilhantes celestiais.
"Mistério
Gosto
de ti, ó chuva, nos beirados,
Dizendo coisas que ninguém entende!
Da tua cantilena se desprende
Um sonho de magia e de pecados.
Dizendo coisas que ninguém entende!
Da tua cantilena se desprende
Um sonho de magia e de pecados.
Dos teus pálidos dedos delicados
Uma alada canção palpita e ascende,
Frases que a nossa boca não aprende,
Murmúrios por caminhos desolados.
Uma alada canção palpita e ascende,
Frases que a nossa boca não aprende,
Murmúrios por caminhos desolados.
Pelo
meu rosto branco, sempre frio,
Fazes passar o lúgubre arrepio
Das sensações estranhas, dolorosas…
Fazes passar o lúgubre arrepio
Das sensações estranhas, dolorosas…
Talvez
um dia entenda o teu mistério…
Quando, inerte, na paz do cemitério,
O meu corpo matar a fome às rosas!"
Florbela Espanca
Quando, inerte, na paz do cemitério,
O meu corpo matar a fome às rosas!"
Florbela Espanca
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