Uma discussão acalorada marcou a audiência pública sobre a
situação das universidades estaduais do Ceará (Uece, Urca e UVA), ontem, na
Assembleia Legislativa, ocupada há sete dias por professores, estudantes e
servidores das instituições. Além dos grevistas, a reunião, que teve o objetivo
de tornar públicas às reinvindicações e sensibilizar o governador Cid Gomes a
receber o comando de greve e, assim, iniciar as negociações, contou com a
presença de parlamentares e representantes do governo do Estado.
Um auditório lotado, representando mais de 40 mil
estudantes, centenas de professores e servidores, reivindicava, praticamente,
as mesmas pautas. Destaque para o concurso para professores efetivos,
regulamentação do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) dos docentes
e servidores, assistência estudantil e melhorias na infraestrutura das
instituições.
Na audiência, 43 pessoas se pronunciaram mostrando
indignação com a situação das universidades. “Nós, alunos, somos os mais
prejudicados, nossa formação está atrasada por causa dos inúmeros problemas que
as universidades enfrentam”, relatou o estudante de pedagogia, Sérgio Teixeira.
“São anos de luta, várias reuniões com o secretário Renê
Barreira e nenhuma ação do governador. Não dá para continuar. A greve está
sendo o ultimo recurso, o mais extremo. Tentamos várias formas de diálogo, de
negociação com o governo do estado e ele sempre se mostrou indisposto com a
nossa causa”, ressaltou a presidente do Sindicato dos Docentes da Uece
(Sinduece), Elda Maciel.
REIVINDICAÇÕES SÃO JUSTAS
O secretário de Ciência, Tecnologia de Educação Superior do
Estado, Renê Barreira, afirmou achar justas as reivindicações, mas, garantiu na
audiência, que as verbas existem e são superiores as da gestão anterior. “Em
2006, ano da ultima gestão, foram investidos cerca de 100 milhões nas três
universidades e o atual governo já triplicou este valor”. E ressaltou “que não
é o secretário, nem o governador quem decide onde aplicar os recursos de cada
universidade. Uece, Urca e UVA têm total autonomia de decidir onde os recursos
serão empregados”.
DIÁLOGO PREJUDICADO
Para o líder do Governo na Assembleia, deputado José Sarto
(Pros), muitas das pautas podem ser avançadas, no entanto, ele ressalta que uma
parcela do movimento está se prendendo a ser recebido pelo governador e assim
as discurssões não andam. “O governador não se nega em atendê-los, e pretende
ouvir, detalhadamente, todo o grupo, se a greve for finalizada. Nós não podemos
garantir essa audiência com o governador, são poderes diferentes e cabe ao
governador decidir”, explicou.
De acordo com o professor da Uece, Epitácio Macário, a greve
continua, inclusive a ocupação da AL. “Nós vamos avaliar o resultado desta
audiência em assembleia e esperamos, sinceramente, que a comissão que a
coordenou se comprometa com a nossa causa e se dirija ao governador para que
ocorram as negociações”, comentou. Ele disse ainda que está sendo formada uma
“comissão de notáveis”, que agrega parlamentares, artistas e pessoas da
sociedade civil para intermediarem junto ao governo medidas que resolvam as
questões.
Ao final da audiência, ficou acordado que a Mesa Diretora da
AL deverá marcar um encontro com o governador para apresentar “conjunto de
falas” expostas ontem, para então tentar consolidar a abertura das negociações
e realizar uma reunião com as lideranças dos partidos para ver, se há,
“brechas” na Lei Orçamentária Anual para direcionar recursos às universidades.
Jessica Fortes
jessica@oestadoce.com.br
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