A HISTÓRIA DE UMA MENTIRA
CAPITALISMO
– “O capitalismo está arriscado a
falhar porque perdemos a visão das falhas operacionais da gula desenfreada.
Estamos dando as costas a uma grotesca piora da desigualdade de renda e
intencionalmente continuando a cortar beneficios sociais... Nossas políticas são
cada vez mais perniciosas. Alteramos completamente decisões políticas, no maior
lance dos lobbies, e permitimos que os interesses financeiros passem por cima
dos controles reguladores”.
Isso está no “Financial Times”, uma das bíblias do
sistema financeiro internacional e foi escrito e assinado pelo economista
Jeffrey Sachs, professor da Universidade de Columbia, de Nova York, durante o
Fórum Economico Mundial, o BBB (Big Bordel do Bial), cabaré universal dos
bancos, que se reune uma vez por ano, em Davos, na
Suíça.
DIVIDA
EXTERNA
E no Brasil? A dívida externa brasileira, em novembro de 2011, era de
US$ 301,5 bilhões, informa o Banco Central, em nota à imprensa. Já as reservas
internacionais, no mesmo período, atingiram US$ 352,1 bilhões.
Os números demonstram que
as reservas superam nossa dívida externa total. A mentira do governo brasileiro
é afirmar que a dívida externa foi paga, como incutiu na mente da imensa maioria
da população. Nada mais falso, enganador e mistificador.
Segundo o Banco Central, a corrida por
dólares no mercado internacional vem gerando a maior expansão da dívida externa
brasileira desde a década de 1970: entre 2009 e abril de 2011, a dívida externa
brasileira cresceu 42,4%, passando de US$ 198,3 para US$ 300 bilhões.
A falácia da quitação da dívida
externa não resiste aos fatos. É demagogia barata induzir a sociedade a
acreditar que as reservas internacionais quitaram a dívida externa. O fato de as
reservas superarem o montante global da dívida não significa que ela foi
liquidada.
Reservas internacionais
servem para garantir confiabilidade da comunidade financeira internacional ante
turbulências externas. No caso brasileiro, segundo o Banco Central, o passivo
externo bruto alcançou, em 2011, US$ 1,43 trilhão, cerca de quatro vezes mais
que o total das reservas internacionais. Nos últimos seis anos, esse passivo foi
triplicado, gerado pelo crescente déficit em transações correntes.
DIVIDA
INTERNA
A verdadeira dívida pública é a
interna. Ela ganhou velocidade nos dois últimos governos. Quando Fernando
Henrique assumiu, a dívida interna era de R$ 62 bilhões. Ao passar o poder para
Lula já era de R$ 687 bilhões. O aumento da dívida interna no governo FHC teve o
seu maior montante no fato de a União ter assumido a dívida de todos os Estados
brasileiros numa ampla renegociação no pacto federativo. No governo Lula, ao seu
final, atingia R$ 1,9 trilhão. Cresceu mais de R$ 1,1 trilhão. E, por cauda
dela, o pais pagou, no ano passado, mais de 360 bilhões de juros.
O endividamento público
para comprar as reservas internacionais teve papel preponderante nesse
crescimento. O governo toma dinheiro emprestado no mercado financeiro para
comprar dólares destinados às reservas internacionais. Vale dizer, não é uma
“riqueza sólida” acumulada, é contrapartida de uma dívida. O economista Marcos
Mendes é didático:
- “Quando o governo
compra dólares, ele aumenta o seu passivo (pelo aumento da dívida interna) e o
seu ativo (pela compra de dólares). Significa que a dívida líquida (passivo
menos ativo) não se altera.”
PREJUIZO
A diferença entre os juros que o
governo paga pelos recursos que toma emprestados para comprar as reservas que
incidem sobre a dívida interna e os juros que remuneram as reservas
internacionais é imensa. Em 2010, o
Departamento Econômico do Bradesco avaliou um custo fiscal de R$ 46 bilhões. O
custo efetivo de captação foi de 11,83%, enquanto a rentabilidade das reservas
foi de 1,9% ao ano. O prejuízo está aí.
Dois terços das reservas
estão aplicadas em títulos do Tesouro dos Estados Unidos. A diferença entre o
custo médio dos passivos do Banco Central e a rentabilidade das reservas
internacionais atingiu aquele prejuizo fiscal de R$ 46 bilhões em 2010. É a
historia de uma mentira.
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