O Brasil vive um momento divisor de sua história. O País assiste ao que a maioria não acreditava que ocorresse: a prisão de políticos condenados por corrupção. O inédito e mais inesperado é que alguns são, por estatura, do “alto clero” da política, referências ideológicas da história recente e da resistência à ditadura de 64.
Os Josés, Dirceu e Genoíno, sacrificaram suas vidas pela redemocratização. Mas não foram os únicos, nem são as únicas (ou maiores) referências da esquerda. Erraram. A dimensão do crime e do castigo é que têm o direito de questionar, e deve ser considerada. Muitos outros lutaram, Arraes, Brizola, Covas, e não erraram. Isso os separa.
O momento é único, mas dizer que o País, a partir de agora, jamais voltará a conviver com a impunidade na corrupção, não é uma sentença, e sim uma hipótese. A corrupção, no Brasil, não é consequência exclusiva da impunidade. A formação política, cultural e formal (a baixíssima escolaridade) nos condena. A prisão dos “mensaleiros” será pedagógica, se não ficar só no exemplo da punição de políticos por corrupção, mas se também servir ao País como incentivo por reformas e pela priorização da formação de suas futuras gerações.
Se há (também) juízo político nas condenações, os crimes porém não podem ser negados. Na corrupção, esquerda e direita se igualam. Por isso, a história recente do Brasil revela que faltam muitos na Papuda. Os que saquearam a Sudene no regime militar e os dos escândalos do Orçamento, Precatórios, governo Collor e dos Caixas 2 estão em dívida.
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