segunda-feira, 9 de abril de 2012

Trânsito em Fortaleza

Sem ordem, espaço ou planejamento

Com a ausência de fiscalização e monitoramento, alguns cruzamentos estão saturados na Capital                        

 


SARA OLIVEIRA
Três cruzamentos de uma Capital, que vive em ritmo acelerado de crescimento. Um dia útil e milhares de motoristas tentando chegar aos seus destinos. Tarefa difícil. Eles enfrentarão, antes, os desafios do trânsito fortalezense, que piora a cada instante. Competição por passagem, confusão de direitos e deveres, a desordem em pleno espaço público e a ausência de profissionais que tentem aliviar tal cenário, caótico e constante.

A hierarquia viária, que separava, por fluxo de veículos, vias arteriais, coletoras e secundárias já não existe, pelo menos na prática. A procura por atalhos, que driblem os engarrafamentos, transformou as ruas “alternativas” em, também, engarrafadas. Esta inversão mudou o tráfego de muitos cruzamentos e os saturaram. Dentre tantos, o encontro das ruas Barão de Aracati e Costa Barros, na Aldeota; e da Major Facundo com Clarindo de Queiroz e, mais à frente, com a Antônio Pompeu. Em nenhuma, há agentes de trânsito.

Uma obra do Programa de Transporte Urbano de Fortaleza (Transfor), tem o objetivo de trazer melhorias ao trânsito da Costa Barros. Até o final das intervenções, porém, só há piora quanto à fluidez do tráfego. Informações sobre as mudanças e novos trajetos ficam a cargo de gritos do tipo “Sai da frente” e “Pode dobrar aqui?”. Buzinas também acabam sendo meios de comunicação.

A via preferencial deveria ser de quem vem pela Costa Barros, mas a regra já não existe. “Isso é um salve-se quem puder. Todo mundo tem pressa e quer chegar a algum lugar. Deveria ter um agente de trânsito aqui, assim, daria tempo para os carros de cada uma das ruas”, disse o motorista Lindemberg da Costa.

A funcionária de um restaurante próximo ao cruzamento, Rita de Cássia Marques, afirmou nunca ter visto alguém orientando os motoristas naquele trecho. “Eles [agentes] só fazem passar por aqui”, completou. A presença de um destes profissionais poderia, ainda, inibir o estacionamento irregular, que torna a Costa Barros ainda mais estreita. A vontade de achar uma saída é tamanha que, enquanto um dos tratores do Transfor entra na obra, quatro veículos já tentam acompanhá-lo, na ilusão de que poderiam atravessar.
Já passava das 18h30, horário considerado um dos mais críticos por quem dirige em Fortaleza. Em mais dois cruzamentos, a falta de orientação e de ação dificultava ainda mais a fluidez do trânsito. Rua Major Facundo com rua Clarindo de Queiroz. Por lá, passam cerca de cinco linhas de transporte alternativo, além ser trajeto comum para quem vai ao lado Oeste da Capital.

O alerta “Nunca feche o cruzamento” parece não funcionar para quem segue este caminho. “Tem que fechar mesmo, ninguém dá espaço, não tem monitoramento... Não tem negócio de consciência não. Até porque, acho que num lugar assim, deveria ter um agente para fechar um dos lados e dá passagem ao outro. Os motoristas não podem ficar à vontade”, desabafou Sérgio Andrade, que protagonizava a infração.
(...).(O Estado)

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