Não há sinergia entre o governador e a
prefeita. Até aí, problema deles. Pior é não haver sinergia entre as duas
gestões – estado e capital. As máquinas não dialogam. Atuam quase sem
convergência. Assim, perdemos todos.
Mas são mantidos assim os casamentos
entre os que têm muito a perder: mesmo se a afinidade evapora, fica um
patrimônio a preservar. A metáfora procede, quando se trata da aliança de Cid
Gomes e Luizianne Lins.
Pode-se duvidar, e muitos o fazem
agora, da vocação gestora da prefeita e mesmo da imperícia com que escolhe as
palavras e os momentos de dizê-las, mas há por aqui poucos talentos políticos
com intuição de igual calibre.
A pergunta é: para onde olha ela,
quando opta, sob o argumento personalista da lealdade, por um candidato à sua
sucessão sem precedente eleitoral, mesmo com o agravante de sua
ainda insuficiente popularidade?
A movimentação mais recente dos
bastidores indica que a prefeita mira na dimensão dos danos que sofreria seu
parceiro eventual, o governador Cid Gomes, caso recusasse apoio ao candidato
indicado por ela.
Luizianne empurra o parceiro para o
canto do ringue. Responsabilidades de Estado de quem administra um condomínio
pobre podem levar o governador a recolher seus ressentimentos e manter o casório
de fachada.
A prefeita conta com o carisma de Lula,
o apoio do governo federal, o controle da máquina na capital, tem maioria na
Câmara, é presidente do partido e controla o diretório municipal. Tem, enfim, os
cordões nos dedos.
Como a precedência para indicar o
candidato da aliança é do PT, uma recusa do governador em apoiar o nome apontado
ali pode significar o acolhimento de dois problemas que ele por certo não
desejaria enfrentar.
O primeiro está em Brasília, quando
veria turvada a até agora boa relação institucional com o Palácio do Planalto,
onde contra ele e os seus já conspira um influente companheiro de partido, o
presidenciável Eduardo Campos.
Outro problema adquirido e não menos
relevante – talvez ainda mais relevante – seria jogar o PT no leito turbulento
da oposição, águas onde aquele partido navega com grande capacidade de produzir
estragos.
Retrospectivamente, vocês imaginem aí
as enxaquecas do governador se tivesse enfrentado aqueles episódios todos –
jatinho da sogra, escândalo dos banheiros, greve da polícia – com o PT livre,
leve e solto. Nem pensar.
Talvez seja esse o cálculo da prefeita
quando tenciona ao máximo a capacidade de tolerância de aliados que, afinal,
miram mesmo, como objetivo prioritário, é nas eleições seguintes para o governo
do estado.
O silencio nada inocente dos desafetos
dela no governo é sintomático de um possível recuo. Mas, mesmo que consiga
curvá-los, lembre-se a prefeita de um pequeno detalhe: precisa combinar tudo bem
direitinho com o eleitor.
Nenhum comentário:
Postar um comentário