Profissionais estão desistindo de trabalhar em SUAPE, mesmo ganhando ótimos salários porque Eduardo Campos não cuidou da questão da mobilidade....interessante isso...
Vale a pena ler o artigo abaixo pra entender o caso:
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Caminho sem volta
Três dias. E acabou. Não deu para a publicitária Ludmilla Menezes, 33. O salário era muito bom. O trabalho de marketing que ela iria desenvolver na Refinaria Abreu e Lima, interessante. Mas ficar três horas no trânsito para voltar ao Recife e perder as reuniões no Grupo Espírita Transformação Consciente, no Cordeiro, foi demais. Há 20 anos ela faz trabalho voluntário lá. Os pais questionaram a decisão. Não valia a pena tentar? Não. “Isso não iria mudar e estava interferindo na minha vida pessoal.” Na saúde também. A hérnia de disco reclamou. E Ludmilla entrou para a lista de profissionais que desistem de Suape, o eldorado do mercado de trabalho de Pernambuco que pena com os problemas de mobilidade urbana.
O consultor de recursos humanos Carlos Alberto Valença, sócio da Acting Solution no Recife, seleciona executivos. Conta que recebe ligações de profissionais que dizem estar bem em seus empregos, ganham muito bem, mas… Se aparecer alguma coisa boa fora de Suape… “Eles reclamam muito do tempo que levam para ir e voltar. Há profissionais que, se tiverem de escolher entre uma empresa em Suape e outra no Recife, preferem a da capital.” Mesmo com a empresa pagando o combustível e dando outras bonificações. O ponto crucial é a qualidade de vida. Ou melhor, a falta dela. Como foi o caso de Ludmilla, que já havia trabalhado em Suape entre 2003 e 2006. Era uma época diferente.
Sete anos atrás, havia 6,6 mil empregados no complexo. Hoje são 75 mil, incluindo aí 50 mil que atuam nas obras de construção civil de empreendimentos, como a própria Refinaria Abreu e Lima e a PetroquímicaSuape. Mais de 10 mil veículos acessam o local todos os dias. A esse volume somam-se os congestionamentos do Recife, de Jaboatão dos Guararapes, do Cabo de Santo Agostinho. Quando desistiu do emprego na refinaria, em 2012, Ludmilla ficou sem trabalhar alguns meses. Mas conseguiu se recolocar. Montou uma empresa que presta consultoria em mídias sociais. Tem um escritório em Campo Grande, visita clientes, resolve os problemas usando o iPad, o celular. De vez em quando, recebe propostas para Suape.
Quando o trabalho é curto e a proposta é muito boa, ela até aceita. “Mas trabalhar lá direto não me interessa. Nem por um ótimo salário. Teria de abrir mão de outras coisas que são muito importantes para mim”, afirma a publicitária. O engenheiro João Carlos Gomes, 47, já trabalhou duas vezes em Suape. A última foi entre 2006 e 2011. Saiu para fazer um curso no Canadá. Algo que ele jamais conseguiria fazer enquanto estivesse empregado no complexo. O MBA que João Carlos já tinha foi da época em que trabalhava em uma empresa no Curado. Ele mora nos Aflitos. São 49 quilômetros até Suape. Tinha de sair às 6h30 para chegar às 8h. Deixava para sair da fábrica depois das 20h para gastar só uma hora na volta.Tarde? Se saía mais cedo, às vezes João Carlos chegava a gastar quatro horas até finalmente chegar em casa. Havia uma Agamenon Magalhães no meio do caminho. A mulher dizia que ele fazia a casa de hotel, com uma boa dose de razão. “Você não tem qualidade de vida nenhuma. Não consegue fazer nenhum curso, se deslocar para a universidade. Temos essa tendência de crescimento do estado e a estrutura que tem para lá é terrível. É um desrespeito.” A perda não é apenas de bons profissionais. O consultor Carlos Alberto Valença conta que uma empresa (ele prefere não citar o nome) veio fazer um estudo para se implantar em Suape e desistiu depois que a equipe levou duas horas até chegar lá.
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