Nomes exóticos tentam atrair eleitores
"Motoca, Pitoko, Bolacha, A onde é, Homem Caju, Careca, Bacana, Espaguete e Palhaço Chiclete. O que estes apelidos têm em comum? Eles figuram na lista dos mais de 1.084 candidatos à Câmara Municipal de Fortaleza. Alguns, inclusive, já possuem relações familiares e história na política. Caso do mototaxista, Francisco Paulo de Almeida, conhecido como Motoca (PSDB). Nos anos de 2004 e 2008, Almeida candidatou-se e não obteve êxito. Contudo, não desistiu. “Tenho um ideal. Um sonho de representar minha categoria na política. Acredito que posso contribuir”, pontuou. Motoca, como é conhecido, revelou que o apelido foi dado por amigos da empresa, onde presta serviço. Para ele, seu apelido trará grande “impacto” nas urnas.
O artista circense, Francisco Hélio Oliveira (PCdoB), ou melhor, “Palhaço Chiclete”, também tentou ingressar na política em 2008, no Rio de Janeiro, mas não logrou êxito. Irmão do deputado federal Francisco Everardo Oliveira, o Tiririca, ele garante que seu envolvimento nas eleições deste ano nada tem a ver com o fenômeno ocorrido com o irmão, em 2010, quando Tiririca foi eleito com mais de um milhão de votos. Perguntado por que, então, investir na carreira política, ele foi contundente: “Sou candidato, porque tenho compromisso com o povo”. Caso eleito, Palhaço Chiclete promete focar nas questões do circo e no combate às drogas, sobretudo na perspectiva de envolver os jovens em atividades culturais e profissionais.
O novato Kleber Santana, conhecido como “Homem Caju”, afirmou que ingressou na política para tentar propor melhorias aos meninos de ruas e novas conquistas para a comunidade LGBT. Ele, porém, discordou que o apelido seja prejudicial à sua candidatura. Apesar dos apelidos exóticos, os candidatos afirmam que seus respectivos codinomes trarão benefícios na hora do pleito. Todavia, embora isso os torne mais conhecidos, os eleitores não enxergam desta forma.
SEM CREDIBILIDADE
Para o universitário Jacques Bessa, o candidato com esse nome não traz credibilidade às suas propostas. Contudo, também não é possível julgar sua competência para o exercício da função. “Não traz credibilidade. Mas, é uma forma de chamar atenção da população. Ou melhor, uma forma de dizer eu existo, principalmente no pouco tempo que possui no horário eleitoral”, avaliou o estudante, ressaltando que a maioria do eleitor deixa na sua participação política um “vácuo”, o que acaba refletindo em políticos corruptos e despreparados.
VÁLIDO
Para o engenheiro de Tecnologia da Informação, Jefferson Figueiredo, do ponto de vista do marketing pessoal, nomes considerados “estranhos” é válido. Como pessoas públicas, eles precisam se destacar dos outros muitos candidatos e angariar mais votos em consequência disso. Embora, descredibiliza suas propostas.
E desta maneira também pensa a doutora em linguística, Maria Elias Soares, da Universidade Federal do Ceará (UFC). Ela acredita que a imagem vale muito e, portanto, o nome faz parte dela. Contudo, o nome engraçado seja somente uma forma de chamar atenção do eleitor, que, antes, votavam nele como forma de protesto. Mas, hoje, ela avalia que o eleitor evoluiu e sabe diferenciar quem tem credibilidade, apesar do apelido exótico, por meio das propostas apresentadas." (O Estado)
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