Campanha eleitoral inicia nas ruas hoje
Em Fortaleza, 10 candidatos disputam a Prefeitura Municipal
Bandeiraços, passeatas, promessas e distribuição de abraços, apertos de mão e sorrisos. Hoje, a disputa nas ruas rumo à ocupação do cargo máximo do Executivo municipal, será oficialmente iniciada em Fortaleza. Durante os próximos três meses, a Cidade voltará a ser povoada pelos 10 candidatos que disputarão os votos dos 1.611.353 eleitores da Capital. É chegada a hora do alerta, o momento de acender a cidadania e inverter a lógica que faz da população, personagem ideal para ilustrar a conhecida “vitrine eleitoral”, que se estabelece a cada dois anos no Brasil.
Já são mais de quatro anos esperando a edificação de um posto de saúde nas proximidades de sua casa, e até agora nada. Assim, o designer gráfico, Marcos Lima, morador do bairro Vila Velha, um dos “currais eleitorais” da Capital, caracterizado pela alta densidade populacional de baixa renda, segue acreditanto. Ele, que avalia sua comunidade como atuante, sabe que novamente verá inúmeros postulantes a cargo de prefeito bater à porta. Santinhos e calendários são “os presentes” comumente trazidos por aqueles que deveriam sustentar projetos coerentes de transformação do local.
Em seu bairro, Marcos aclama a reurbanização do campo de futebol, espaço que agrega a vizinhança no final de semana. É lá que as relações sociais são reforçadas e que o sentimento de pertencimento à Cidade revigora-se. No conjunto habitacional que virou bairro, a proximidade com o mangue acelera alguns problemas, dada à vulnerabilidade social e a moradias irregulares edificadas no ecossistema. Porém, apesar de torcer para que desta vez seja diferente, Marcos prevê que a maioria dos candidatos, que estão oficialmente nas ruas, trará soluções efetivas para estes dramas.
CENÁRIOS DIFERENTES
No Benfica, a realidade do ator e arte educador, Toni Benvenuti, é diferenciada. Por lá não é densidade demográfica que atrai os candidatos, mas os campus universitários, com a populosa presença daqueles que podem influenciar outros setores. No entorno de sua residência, Toni afirma que não há postos de saúde, embora exista demanda. Porém, outros equipamentos públicos são de grande usufruto, como praças e escolas.
No dia a dia, o eleitor e artista utiliza seu ofício para tentar reavivar a Cidade. Performaces em praças e avenidas são realizadas junto a um grupo de amigos a fim de expôr aos fortalezenses a necessidade de apropriação da cultura. “Quando fazemos alguma intervenção, temos as mais diversas reações. Em geral, são manifestações positivas. O que não é bem-vindo é a desassistência que área cultural tem em nossa Capital”, defendeu. Nos próximos meses, a convivência com área elevada à condição de bairro-sede de inúmeros comitês será menos proveitosa, para ele, que olha com desconfiança a atenção despendida aos políticos somente durante este período.
Já o empresário Filipe Ramalho Alves, morador da Cidade 2000, embora também desconfiado, acredita que não passará por infortúnios durante a campanha. Seu bairro não desperta interesse e nem tampouco carece de espetáculos ou visitas messiânicas. A presença de políticos, de acordo com ele, tem outro caráter. Na região, que necessita de melhorias no escoamento da água, devido os pontos de alagamentos em dias de chuva e soluções para o tráfego intenso de veículos, os eventos são os locais preferidos dos candidatos.
NOVAMENTE O ESPETÁCULO
Um espetáculo “indesejado” e concretizado a cada dois anos, segundo a socióloga e pesquisadora do Laboratório de Estudos sobre Política, Eleições e Mídia da UFC, Rejane Carvalho. Apesar da importância ser bem menor, hoje, a campanha nas ruas, de acordo com ela, “não perde o seu lugar no sistema democrático”.
O momento que deveria ser legitimador das consultas, da participação popular e da disposição dos candidatos, em geral, já não cumpre essa função. “A campanha nas ruas é forncedora de imagens para a disputa que será feita na TV campanha. Ela subsidia o que será levado à casa dos eleitores e é encarada por muitos como um termômetro”, garantiu.
Neste cenário, as periferias são territórios valiosíssimos, dada à presunção da conquista fácil do voto. “Os bairros populares são territórios ideais para receber aqueles que vão apresentar benefícios ou refutar os mesmos. Como são estas camadas que mais precisam dos serviços públicos, neste momento, elas virão as protagonistas”, alertou. Segundo Rejane, são candidatos que, momentaneamente, representam a função de “ouvidores” do povo e “comprometem-se” com as demandas expostas e ignoradas dia após dia.
Se o público em questão habita as áreas nobres, o assédio se dará por outros meios. Em geral, carreatas, que atrapalhem minimamente o tráfego, são as opções. “Nestas áreas, a tendência é que as pessoas não se interessem por esse tipo de movimentação. O que está em jogo é a visibilidade, e o corpo a corpo é minimizado”, avaliou.
CIDADANIA NA CONTRAMÃO DA CIDADE-VITRINEQuando a campanha eleitoral faz da Cidade uma vitrine, onde há o que mostrar ou denunciar, a cidadania tem papel de rebelar o povo. O argumento é defendido pelo geógrafo, professor da UFC e integrante do Observatório das Metrópoles, José Borzacchiello. São energias que devem ser gastas pelo cidadão comum, na tentativa de reapropriação do sentimento de pertença a Fortaleza e no melhor direcionamento do voto. Enxergar a Cidade em sua totalidade e exigir que os projetos políticos contemplem a amplitude deste território.
“A Cidade é encarada como aquilo que a população tem mais próximo, o que dificulta um entendimento global. Muitos fortalezenses só veem a Cidade pelas janelas dos ônibus quando tem oportunidade de deslocar-se naquele território que deveria lhe pertencer completamente. Isso é sintomático e evidencia nosso cenário social”, ponderou.
"A vontade da população, tão valorizada em épocas de campanha, segundo o geográfo deve ser efetivada diariamente.“É o pressusposto da demoracia estimada pelos postulantes ao cargo não é mesmo?” ressalta. Logo a percepção da necessidade e adequação de obras e serviços devem passar pelo povo que sabe como interferir na Cidade e na sua gama de demandas. “Devemos estar atentos à reanimação dos territórios. No momento em que o gestor vai aos bairros, ele evidencia sua ‘preocupação’ com algo estimado por muitos eleitores. Se não fosse a necessidade de causar boa impressão, talvez convencesse. Esse tipo de coisa não pode interessar. Queremos modificações que comportem a multiplicidade da existência urbana e isto sim é missão daqueles que agora voltam às ruas” defendeu. "(OEstado)
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Assinar:
Postar comentários (Atom)
DESTAQUE
Violência contra as mulheres: confira os projetos em análise no Senado Fonte: Agência Senado
O Senado tem discutido e aprovado propostas para fortalecer a proteção contra esse tipo de violência Proposições legislativas ...
-
- Arte desenvolvida pelo Núcleo de Publicidade da Alece Com o propósito de se aproximar cada vez mais do povo cearense e oferecer mais tra...
-
O Senado tem discutido e aprovado propostas para fortalecer a proteção contra esse tipo de violência Proposições legislativas ...
-
Cinema brasileiro está de parabéns. Até que enfim, o reconhecimento chegou. Antes tarde do que nunca. A brasileira Fernanda Torres ganhou ...

Nenhum comentário:
Postar um comentário