Newton Pedrosa*
Mais antigo que a arca de Noé, o ciúme acompanha o ser humano desde tempos imemoriais!
Dir-se-ia que o primeiro caso de ciúme de que se tem notícia não teria ocorrido em algum romance ou entre um homem e uma mulher,mas, entre dois irmãos, Caim e Abel,por tratamento diferenciado recebido do pai e que findou com o assassinato de Abel.
De lá prá cá, nunca mais o homem conseguiu se libertar desse sentimento doloroso que se apresenta sob diversas formas e causas com reações diferentes. O ciúme existe por conta de um amor doentio pela posse da pessoa amada, por inveja, por zelo demasiado, por despeito ou por uma insegurança que no mais das vezes deixa o ser humano desapontado e preocupantemente fora de si.
O ciúme tem separado casais, desfeito lares e romances, destroçado vidas e corações e existe até entre os animais. Não são poucos os danos causados por essa patologia incurável. A criatura humana reage ao ciúme através de palavras, gestos e pensamentos frutos deu uma imaginação fantasiosa que leva ao desvario, e é inerente ao homem e à mulher, a todas as pessoas, enfim.
Uns reagem com violência, outros com o silêncio calculado, outros ainda com a indiferença, porque o maior inimigo do amor não é o ódio explícito ou dissimulado, mas, a indiferença que maltrata, fustiga e se transforma numa vingança diabólica que mata.
Em "Memórias de um Sargento de Milícias," um dos clássicos da literatura nacional, Manuel Antonio de Almeida, em meados do século XIX, tratou do assunto no espírito e costumes da época, assim, ao descrever essa paixão falando da vida marital de Vidinha e Leonardo, dois de seus inúmeros personagens:
"As mulheres têm uma infinidade de maneiras de manifestar este sentimento. A uma, dá-lhe para chorar em um canto e choram aí em ar de graça de dilúvios de lágrimas: isto é muito cômodo para quem as tem de sofrer!
Outras recorrem às represálias, não espremem uma lágrima, mas, assim por um espaço de oito ou quinze dias, desde que desponta a aurora até que cai a noite, resmungam um calendário de lamentações, em que entram seu pai, sua mãe, seus parentes e amigos, seu compadre, sua comadre, dote, seus filhos e filhas e tudo por aí além; isso sem cessar um segundo de descanso: de uma maneira a deixar na cabeça do mísero que a escuta uma assuada eterna, capaz de fazer amolecer um cérebro de pedra.
Outras entendem que devem afetar o desprezo e pouco-caso; essas tornam-se divertidas e faz gosto vê-las.Outras,enfim, deixam-se tomar por um furor desabrido e irreprimível, praguejam, blasfemam, quebram trastes, rompem a roupa, espancam escravos, filhos, e descompõem os vizinhos; esta é a pior de todas as manifestações, a mais desesperadora, a menos econômica e também a mais infrutífera."
Como se vê, são inúmeras as reações, mas, sejam quais forem elas, o ciúme existirá e acompanhará o homem vida afora, e permanecerá na alma e nos corações, enquanto houver um amor doentio por uma pessoa amada, enquanto houver amor, simplesmente, enquanto houver despeito, zelo, insegurança, egoísmo e ódio.
*Newton Pedrosa é jornalista e advogado
domingo, 6 de maio de 2012
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