Dia de Lutas mobiliza trabalhadores
na cidade
O Dia Estadual de Lutas, em Fortaleza, foi lembrado por meio
de protestos e reivindicações encabeçado pela Central Sindical e Popular
(CSP/Conlutas). No início da manhã de ontem, por volta das 8h, sete terminais
entre intermunicipais e interestaduais foram fechados pela categoria. No Centro
da Cidade e nos bairros Aldeota e Meireles movimentos populares realizaram
passeatas.
Mesmo tendo os fortalezenses amanhecidos com a indefinição sobre
a suspensão ou não dos transportes coletivos, quem saiu cedo de casa, conseguiu
apanhar ônibus. Por volta de 8h, os terminais do Siqueira, Papicu, Messejana,
Antônio Bezerra, Conjunto Ceará e Lagoa, além do rodoviário João Thomé,
localizado na Avenida Borges de Melo, ficaram inoperantes. Apenas o terminal da
Parangaba funcionou normalmente.
Com a paralisação, os ônibus que chegavam próximo aos
equipamentos, desembarcavam os passageiros e seguiam para a garagem. As paradas
nas adjacências ficaram lotadas até a normalização das atividades. As
paralisações foram motivadas ainda em razão do sétimo dia de morte do motorista
Erisvaldo Matias, assassinado na última quarta-feira (28), e em alusão ao Dia
Estadual de Lutas.
MANIFESTAÇÕES
Em torno de 9h, próximo ao terminal do Papicu, uma multidão
formada pelos trabalhadores da construção civil, que deram apoio ao movimento
do sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Estado do Ceará
(Sintro-CE), alegando a falta de segurança e os constantes assaltos à mão
armada.
Às 10h, os terminais de ônibus começaram a operar e, aos
poucos, o movimento foi se normalizando. Durante o protesto, o vice-presidente
Sintro, Sérgio Barbosa, afirmou que se as negociações não avançassem com o
Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará
(Sindiônibus), “a única arma” que terão é a greve.
Operários da
construção civil reclamam de gastos com as obras para a Copa do mundo
Cerca de cinco mil operários da construção civil e centenas
de outros trabalhadores de diversas categorias, como vigilantes, servidores da
Prefeitura, na área da educação e saúde, entre outros, participaram de uma
passeata marcada pela pacificidade, que iniciou por volta das 9h, na Praça
Portugal, finalizando às 12h, no cruzamento das avenidas Barão de Studart e
Abolição. A área de segurança que envolve o Palácio do Governo foi toda
bloqueada por grades e centenas de policiais.
Além das reivindicações específicas dos operários que entre
outras pautas reivindicam melhores condições de trabalhos e reajuste salarial
de 15%, os protestantes também se manifestaram contra os gastos da Copa do
Mundo e mais investimentos na saúde, moradia, saúde e educação. “Já foram seis
rodadas de negociações e, na última, o sindicato patronal (Sinduscon) rompeu
dizendo que oferecia apenas 7,5% de reajuste salarial e R$ 80,00 na cesta
básica, mas eles sabem que isso não significa nada para a gente”, ressaltou
Nestor Bezerra, coordenador do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil
da Região Metropolitana de Fortaleza (Sticcrmf). Reunidos em assembleia na Praça Portugal, a
categoria decidiu que no próximo dia 12, data em que se inicia o mundial no
Brasil, um novo protesto será realizado, que contará com a participação de
outros movimentos.
CONGESTIONAMENTOS
Por volta das 10h, na Praça Portugal, um grupo de operários
expulsaram um pequeno grupo de black blocs que queriam promover quebra-quebra.
Às 10h15min os manifestantes saíram em caminhada para a Avenida Desembargador
Moreira. O trânsito na área ficou paralisado. Na Avenida Ana Bilhar, formou-se
um congestionamento de mais de 1 km. Com medo de depredações, os comerciantes
na área fecharam as portas. Ao interditarem a Avenida da Abolição, o trânsito
nos dois sentidos ficou estacionado. Ao passarem por um canteiro de obra,
próximo a Avenida Nunes Valente, onde operários trabalhavam, os manifestantes
invadiram o canteiro, paralisando as atividades e obrigando os trabalhadores a
aderirem ao movimento.
BLOQUEIOS
Por volta das 12h, a manifestação encerrou-se na confluência
da Avenida Abolição e Barão de Studart. Quando os manifestantes chegaram no
cruzamento, foram surpreendidos por dois bloqueios da Polícia, na altura da
Barão de Studart com a Rua Silva Jatahy. Mais de 300 homens faziam a segurança
do Palácio. Entretanto, a manifestação findou sem confronto com a Polícia.
ROCHANA LYVIAN- rochana@oestadoce.com.br
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