quinta-feira, 15 de novembro de 2012

"Operação Águas Claras": Diretor acusado de fraude é demitido

O diretor comercial da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), Antônio Alves Filho, o “Cony”, foi demitido do cargo, ontem, pelo governador Cid Gomes (PSB), após denúncias de indícios de fraude em contrato envolvendo empresas que prestam serviços à Companhia.
O jornal O Estado publicou ontem, em caráter exclusivo, uma reportagem intitulada “Suspeito de fraude em contratos da Cagece” em que relata as denúncias por fraudes em processos licitatórios em duas empresas que prestam serviços à Cagece. O presidente da Cagece, Gotardo Gurgel, teve, ontem, uma reunião, a pedido de Cid, no Palácio da Abolição, para explicar o contrato firmando entre a Companhia e a empresa Allsan Engenharia e Administração Ltda.
Segundo o chefe de gabinete do governador, além da demissão do diretor comercial, o governador mandou encaminhar para a Procuradoria Geral do Estado e para o Ministério Público do Ceará toda documentação sobre o processo licitatório supostamente fraudulento, a fim de que se possa realizar uma apuração aprofundada. Cid, por fim, teria mandado suspender o contrato até que tudo fique esclarecido.
Resposta
Em nota divulgada à imprensa, o diretor demitido da Cagece, Antônio Alves Filho, disse que “visando reafirmar a lisura com que o processo foi conduzido, a Cagece solicitou auditorias interna e externa no referido processo, de modo que a verdade se imponha sem nenhuma dúvida quanto a sua verificação, forma única e inequívoca da pronta afirmação da minha honradez”. Ele diz ainda que “a prorrogação do contrato de prestação de serviço entre Cagece e Allsan se deu por critérios técnicos e gerenciais, obedecendo aos trâmites legais, devidamente analisados pela Procuradoria Jurídica com os mesmos procedimentos que sempre foram adotados.

O “Cony” ressaltou também que “não obstante quaisquer problemas envolvendo a empresa Allsan em outros estados, o fato é que, no Ceará, o serviço contratado é prestado de maneira eficiente, contínua e sob acompanhamento de desempenho por parte da Cagece.
Os contatos realizados entre os representantes da prestadora e da Cagece, inclusive o diretor comercial, se deram no contexto da relação profissional necessária entre as partes”. Antônio Alves Filho ocupava o cargo desde fevereiro de 2011.
Operação
Relatório de Inteligência da Operação Águas Claras cita o deputado cearense José Guimarães (PT), vice-líder do governo na Câmara, na investigação sobre empresários acusados de corrupção e fraudes em licitações de prestadoras de serviço a autarquias de água e esgoto de municípios de quatro Estados, inclusive o Ceará. A Águas Claras foi desencadeada no começo da semana, em Sorocaba (SP). Força-tarefa integrada pela Polícia Civil e pelo Grupo de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) da cidade, braço do Ministério Público de São Paulo, prendeu 18 investigados e fez buscas em 25 endereços domiciliares e comerciais. O alvo principal é a Allsan Engenharia e Administração e seus sócios, os empresários Reynaldo Costa Filho e Moisés Ruberval Ferraz Filho.

A operação não flagrou telefonemas de Guimarães, mas pegou citações frequentes ao seu nome em diálogos grampeados dos empresários da Allsan que chamam o deputado ora pelo nome, ora por “cueca”, ora por “capitão cueca”. Cópia do relatório será enviado ao Ministério Público do Ceará. O contato de Reynaldo e Moisés na Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) seria Antonio Alves Filho, o Cony, diretor comercial. A Cagece mantém contrato de R$ 8,94 milhões com a Allsan.
Cony trocou telefonemas com Reynaldo e os dois se encontraram. “O teor dos diálogos entre os investigados denota o possível recebimento de numerários (propinas) por parte de Cony para intermediar a favor da Allsan junto à Cagece para a prorrogação e aditamento do contrato de prestação de serviços de leitura e emissão de faturas junto à companhia estatal, tudo em face do poder de decisão que exerce em função do cargo ocupado”, assinala o relatório.
A Operação Águas Claras aponta os passos de “uma quadrilha” - empresários que formaram a Associação Brasil Medição para “ocultar reuniões secretas onde os negócios escusos do bando eram combinados para burlar certames licitatórios destinados à contratação de serviços técnicos especializados de leitura de medidores”.

Guimarães se diz surpreso
Em nota também divulgada à imprensa, o deputado petista afirmou que ficou “surpreendido” com as notícias que citam o nome dele nas gravações. “Considero inaceitável que se envolva meu nome desta forma, em mais uma tentativa de interditar, por vias de ilações e especulações, minha trajetória política”. O petista disse ainda que “não tenho medo do debate, do enfrentamento e da disputa no campo das ideias, desde que estas ocorram com lealdade, transparência e, principalmente, respeito à honra, como é a minha forma de fazer política”. Para o deputado, “não tenho nenhum tipo de interferência em decisões de empresas ou instituições ligadas ao governo do Estado do Ceará. Sou aliado do governador, com quem tenho boa relação institucional e com quem me orgulho de colaborar para a execução de um bom trabalho no comando do governo. Isso não me confere o direito de intervir nas decisões de sua gestão”. Ele finaliza dizendo que “só posso entender as insinuações levantadas como mais uma tentativa de ressuscitar histórias há muito enterradas, visando atender interesses políticos escusos


(Do O Estado)

Cara de pau, esse deputado, hem?

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