sábado, 3 de novembro de 2012

En entrevista na revista Época, Cid diz que “Lula não foi correto” e fala sobre futuro político

(Foto: Jarbas Oliveira/ÉPOCA)
Trechos da entrevista:

ÉPOCA – O PSB venceu o PT em todas as disputas importantes de que participou nesta eleição: Belo Horizonte, Recife, Fortaleza e Campinas. O PT subestimou seu aliado histórico?
Cid Gomes –
Não enxergo nisso uma rivalidade ou uma má relação. O PT é nosso aliado nacional. O que não se pode é achar que somos satélites do PT. Não somos. Temos um projeto de poder próprio.
ÉPOCA – O senhor está falando da Presidência da República?
Cid –
Estou, sim, e digo, para que não me interpretem errado: defendo o apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014. Apoiamos a Dilma em 2010, tivemos um papel importante na eleição dela, participamos de seu governo, e ela vem fazendo uma boa gestão. É natural que apoiemos sua reeleição. Nosso projeto de Presidência deve vir depois.
.....
ÉPOCA – Em comício do ex-presidente Lula em Fortaleza, o senhor e seus irmãos foram chamados de oligarcas e acusados de só se lembrar dos pobres em tempo de eleição. Como o senhor se sentiu?
Cid –
Foi uma agressão e uma agressão injusta. Quem esteve com Lula nas horas decisivas fomos nós. Na eleição de 2002, (a prefeita de Fortaleza) Luizianne (Lins) e (o candidato petista) Elmano de Freitas vaiaram Lula em praça pública, porque ele escolheu o José Alencar para vice. No segundo turno daquela eleição, Ciro (que disputou o primeiro turno) não pestanejou e declarou apoio a Lula. Em 2005, no mensalão, parte do PT se escondeu. Outra falou em pós-Lula. Nós fomos à linha de frente defendê-lo. Os votos responsáveis pela reeleição dele vieram daqui. Fomos para a linha de frente na eleição de Dilma. Lula não foi correto conosco.
...
ÉPOCA – O PT só ganhou a eleição numa das nove capitais do Nordeste. Lula foi o grande derrotado?
Cid –
Não colocaria assim. O PT tinha duas capitais na região: Fortaleza e Recife. Foi mal nas duas administrações. Aconteceu o mesmo com gestões mal avaliadas de outros partidos. Em Natal, a prefeita (Micarla de Souza, do PV) nem concorreu. Em São Luís, o prefeito do PSDB (João Castelo) perdeu. Em Teresina, o do PTB (Elmano Férrer) também. Lula ganhou a eleição onde ele teve o cuidado de ter um bom candidato, como em São Paulo. Aonde ele foi por solidariedade ao PT ou por sentimento de dívida perdeu. As pessoas foram sábias. Distinguiram essas situações e escolheram o que era melhor para seu município.
ÉPOCA – Como agiu a presidente Dilma?
Cid –
De forma republicana. Não tenho reparo a fazer. Pelo contrário, só tenho reconhecimento pela atitude dela. Quando acabou o primeiro turno, disse isso a ela. No segundo turno, agradeci novamente. Ela respondeu: “Não poderia ter outra postura, você me apoiou”. E ainda me pediu o telefone do (prefeito eleito) Roberto Cláudio.
ÉPOCA – Lula também telefonou para o senhor?
Cid –
Não.
ÉPOCA – O que o senhor pretende fazer em 2014?
Cid –
Cumprirei meu mandato até o último dia. Não disputarei eleição em 2014. Depois, passarei mais tempo com minha família. Vou trabalhar no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Washington. Pedi ao presidente Luis Alberto Moreno: “Meu desejo é trabalhar com o senhor”. Ele respondeu: “Não se preocupe, meu filho”. Então, eu vou.Quando voltar ao Brasil, avaliarei se disputarei outra eleição. O melhor dos mundos é sair da política sem ser expulso. Sair como saiu o Pelé: por cima.
ÉPOCA – O senhor está abandonando a vida pública?
Cid –
Não, essa é minha vocação. Ter mandato não é a única forma de servir. O objetivo do BID é reduzir a desigualdade, melhorar a vida das pessoas, desenvolver as Américas.
ÉPOCA – O senhor pensa em pedir à presidente Dilma para nomeá-lo representante do Brasil no BID?
Cid –
Desculpe, estou rindo porque essa pergunta me coloca numa situação constrangedora. Quanto maior seja meu espaço, tanto mais eu possa atuar, melhor. O Brasil tem um vice-presidente lá. Se eu puder ser esse vice, melhor."

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